terça-feira, 15 de outubro de 2013

Taciturno e ingénuo nascer de sol

Hoje estou muito sonolento, nem me recordo de ter acordado, saí de casa para passear as minhas olheiras, dar-lhes um bocadinho de sol e deixar que elas urinem na relva, como fazem os cães. Há dias assim, em que eu olho ternurento para algumas ações da natureza, mas não pareço nada ternurento, as pessoas ficam com medo de mim, pensam que as vou roubar o coração e fritá-lo com ovos mexidos. Ando pela faculdade a pé, ainda não tirei a carta de condução, mas assim que tiver oportunidade entro de mota aqui para dentro, quero ser insólito: quero escamar pernas de frango, quero vislumbrar o meu prepúcio a atingir proporções avermelhadas depois de tanto prazer. Estou no meu horário de almoço, queria almoçar com o João mas ele não me responde, e ando tão pobre que perdi a fome. Amanhã será dia 16 e o meu pai vai fazer anos brevemente e eu já me esqueci outra vez. Talvez um dia eu tenha uma memória de elefante, daqueles com trombas grandes, que decerto se satisfarão a si próprios com o nariz na pichota.