domingo, 20 de outubro de 2013

No fogo dos prazeres e labaredas

          Em pé, diante do muro, mixei. Estava frio, mas eu tinha um casaco vermelho - como o coração. A polícia passou ao fundo, mas não reparou no meu pirilau excitado nem na corrente de urina que circulava no chão abaixo de mim, e nos meus sapatos, oh quão cheiro nauseabundo me acerca! 
           Sim, vinha de uma longa rotina aguentando a insatisfação de conter o meu xixi. E, quando finalmente me urinei de prazer, já era noite e eu regressava a casa. O frio gelava as minhas mãos nuas, mas, naquele momento, ali, eu e o meu pirilau nos aquecemos de um odor quente e extasiado.
        Quisera eu cercar as paredes do mundo com esta simpatia gloriosa com que pintei o muro branco! Quisera eu dar palavra a todos os muros brancos, que passam a noite ao relento, e ouvir deles a palavra de júbilo de se poderem aquentar.