quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Nostálgico amor eterno

O sol espanca-me a cara, derrete-me a visão em bolinhas pretas. Eu levo a mão ao rosto, limpo o sebo caloroso e sinto-me tonto. E ralho com o sol, digo-lhe que ele não pode esquentar-me assim a calvície, assar-me os piolhos sem ai nem ui. Ele deve encontrar em mim alguma graça, no meu desagrado, porque sorri e sorri quente e mais quente até eu ficar com os sovacos encharcados, até humedecer os pés e ensopar a virilha.

Hoje é o aniversário do meu pai. Sempre gostei dele por ter contaminado a minha mãe com o seu sémen e me permitir evoluir para a pessoa bela que sou hoje, sem me ter dado um tiro na testa ou um pontapé no crânio que me desfigurasse as divinas proporções do rosto. Quando tiver a sua idade espero ter um filho como eu. E hei-de molestá-lo como me faço todas as noites.