Não tenho escrito, não tenho exercido nenhuma actividade cerebral de excelência nos últimos dias; isto porque me surgiu, em tristeza, uma doença designada como constipação do caralho, que assola grande parte das narinas com ranho verdejante, da garganta com escarretas amarelas e dos olhos avermelhados. A bem ver sou um arco-íris nojento. A minha amiga Mariana diz que eu pareço ter febre. A minha namorada diz que eu pareço ter febre. Eu digo, a ambas, que concordo, mas não vou medir a temperatura, porque acredito que tudo melhora, é uma questão de tempo.
O Peña perguntou-me, no outro dia, se eu sabia como se originavam os trovões e eu respondi que devem ser as nuvens a fazerem lutas de almofadas. Eu devo ter apanhado esta constipação do caralho com a chuva. Quando for sênior vou para um lar de idosos e resguardo-me do tempo com mantas de malha. Pela noite roubo as dentaduras às velhas e troco-as pelas minhas meias asquerosas. E haverá, também, um velho tarado que as tentará beijar a todas e sentirá o meu gosto de pés mal lavados na língua.