(às estimadas Vilela e Fernandes)
‘A Avó do Homo Sapiens’
Tenho ganas de te escrever, avó,
Esqueci-me do corta-unhas
Não me lembro onde o punhas,
Esqueci-me do corta-unhas
Não me lembro onde o punhas,
Sinto-me peludo e vazio sem ti:
Deixaste o teu neto asqueroso,
Gordo, feio e sozinho por aqui!
A minha pança aumenta,
Com a saudade,
Vou tendo calvície,
Com a idade,
E como barras de chocolate!
Tu, leitor, ser humano,
Respeita a sucessão aberrante,
Já fui macaco e tu és estudante,
Continua a minha linhagem adiante!
Estou de olho em ti, indivíduo,
Tenho esperança e acredito que,
Quando chegares à minha idade,
Ainda consigas ver o teu umbigo
E sejas ainda mais bonito.
Tenho ganas de te escrever, avó,
Mas tenho-te bem em mente
Quando me catavas piolhos com o pente,
E me deixavas todo contente:
As cócegas que me fazias,
Nos pés, nas coxas, nas axilas.
