(às estimadas Vilela, Raposo, Caetano e Simon)
A vida é um lugar estranho onde formigas, como eu, carregam o seu amor de mãe, dorso acima, para alimentarem os seus filhos, os irmãos, os amigos, as carências. A vida é um pensamento demasiado para ser pensado. Na rotina das dissertações eu me condeno eloquente, e sacrifico minhas repentinas mágoas por liberdade de sorrir para os abraços. A vida torna-se gaivota de planar pôr-do-sol, e eu quero estar no tempo sem saber, estar no espaço sem prever as idas ou as chegadas. Ser vivo é só a mudança de ser outra coisa qualquer que passa, a casa do crescimento é quem nos ama e abriga. E eu vou abrir as janelas à calma luz da diapasão e manter uma mão aberta para quem quiser ser vida comigo.